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MS - Política

Artuzi denuncia uso eleitoral da Uragano e acusa ex-presidente da OAB

Segundo ele, a maior parte das informações ligadas à operação policial que o colocou atrás das grades não foi divulgada para a população.

14 Fev 2012 - 08h52Por Midiamax

Ari Artuzi, ex-prefeito de Dourados que deixou o cargo em 2010, após assinar uma Carta de Renúncia quando estava na cadeia, resolveu falar. Segundo ele, a maior parte das informações ligadas à operação policial que o colocou atrás das grades não foi divulgada para a população. Ele afirma ter sido vítima de uma armação política e garante ter como provar a tese, que envolve o nome de ‘políticos e empresários poderosos de MS’.

Em um bairro popular de Dourados, na mesma casa na qual morava quando era prefeito, Artuzi recebeu a reportagem do Midiamax para uma entrevista exclusiva de várias horas. O conteúdo foi gravado com a autorização de Ari que, por várias vezes, pediu para o gravador ser desligado enquanto explicava um detalhe ou outro de bastidores do maior escândalo político na história de Mato Grosso do Sul.

A Operação Uragano, conduzida pela Polícia Federal, agitou a política sul-mato-grossense quando, em 1° de setembro de 2010, colocou na cadeia 28 pessoas ligadas à administração municipal de Dourados. Entre os presos, estava o então prefeito Ari Artuzi, o vice, Carlinhos Cantor, a ex-mulher de Artuzi, Maria Aparecida, além de secretários municipais e nove dos 12 vereadores douradenses.

Poucos dias antes das eleições que reelegeram André Puccinelli (PMDB) como governador de Mato Grosso do Sul, a operação policial prendeu a maior parte da cúpula política de Dourados por envolvimento com um suposto esquema de corrupção que funcionaria no segundo maior colégio eleitoral do Estado. A cidade parou e o processo eleitoral ficou tumultuado.

A Operação Uragano (furacão, em italiano) reuniu registros em vídeo feitos pelo jornalista Eleandro Passaia, então secretário de imprensa de Dourados, que, segundo Artuzi, fez um acordo de delação premiada com a Polícia Federal para ajudar nas investigações e escapar de implicações com a Justiça.

Entre as gravações, vazaram revelações envolvendo todos os poderes em um suposto esquema de propinas que funcionaria, segundo o então primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, ex-deputado Ari Rigo, no Parque dos Poderes. Ele explicou como funcionaria a distribuição de dinheiro sem saber que era filmado, e foram atingidos o governador, o legislativo, membros do Judiciário e do Ministério Público Estadual sul-mato-grossenses.

Rigo se desmentiu e retratou publicamente, mas não conseguiu se reeleger. Puccinelli entregou no MPE documentos que afirmou serem extratos de sua vida financeira de vários anos, mas as investigações esbarraram em divergências sobre a quebra do sigilo bancário dos envolvidos. Todos negaram envolvimento.

Alvos para serem ‘fritados’

Artuzi, no entanto, garante que os alvos ‘fritados’ no desenrolar da Operação teriam sido escolhidos com motivação meramente eleitoral. Ele próprio afirma que só assinou a Carta de Renúncia porque teria sido coagido pelo advogado dele na época, Carlos Marques, ex-presidente da Seccional de Mato Grosso do Sul da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) a entregar a Prefeitura em troca da liberdade.

Com o cargo vago, foi convocada nova eleição e Murilo Zauith (DEM), que havia sido candidato ao senado em 2010 com suposto apoio de Puccinelli, mas não foi eleito, ficou com a Prefeitura de Dourados no mandato tampão que termina neste ano. Murilo se candidatou com um superbloco político que reuniu 15 partidos, desde PT até o PMDB, numa aliança sem precedentes na história da política douradense.

O ex-prefeito Artuzi afirma que o próprio desenrolar da Uragano confirmaria a denúncia dele de que houve apenas o aproveitamento eleitoral das investigações. Sobre o andamento do processo, questiona: “Como pode todo esse barulho, e até hoje não terem sequer me chamado para depor? Até hoje eu não fui depor nenhuma vez por causa dessa Uragano”.

‘Nunca fui pra zona’

Sobre as gravações nas quais aparece recebendo dinheiro, Ari afirma que tem como provar a origem de tudo que recebeu em frente às câmeras escondidas de Passaia. “Eu sempre fui batalhador. E nunca gastei à toa. Eu sou um cara que nunca fui pra zona, pra boate, essas coisas. Nunca fui nem pra praia, e sempre fiz muitos negócios. Então eu ganhei todo meu dinheiro comprando e vendendo terrenos, carros, fazendo negócios”, assegura.

Com um calhamaço de documentos e certidões de transações comerciais registradas em cartório nas mãos, Artuzi diz que teria sido filmado, sempre, recebendo dinheiro ‘ganho licitamente’ na compra e venda dos bens que acumulou enquanto foi vereador e deputado estadual.

“Eu vendi muitas coisas. Tenho aqui 21 matrículas de bens que eu vendi entre 2006 e 2010. No dia daquela fita que a imprensa inteira ficou repetindo, eu tinha vendido um terreno em Caarapó e recebi aquele dinheiro. Tenho como provar. Agora, eles não têm como provar do que era o dinheiro, porque editaram tudo”, garante.

‘Ele acertou com alguém’

Com relação ao tratamento que recebeu logo após a operação ter estourado, Artuzi faz denúncias graves contra o advogado Carlos Marques, que o representou. “Na verdade, ele não trabalhou pra mim. Não sei pra quem que ele trabalhou. Eu reclamei com ele nas duas ou três vezes que vi ele nesse período de 93 dias que fiquei preso, mas eles proibiram todos de falarem comigo. Foram outras pessoas, outros advogados próximos de mim, mas eles proibiram. Eles não, ele proibiu”, relata.

Para explicar a motivação do advogado em supostamente prejudicar o próprio cliente, Artuzi volta a citar a suposta conspiração. “Ele acertou com alguém, isso eu sei. Ele poderia ter acertado aqui embaixo, com alguém que queria ser prefeito, por exemplo”, acusa.

‘Combate dos desesperados’

Por telefone, Carlos Marques, diz que prefere não comentar as declarações do ex-cliente. “Nem vou me pronunciar. Se ele tiver reclamações, deve tomar as medidas cabíveis contra mim. Eu me sinto com o dever cumprido, mas acho que ele está combatendo o combate dos desesperados”, resume o advogado.

Artuzi ainda não representou contra Marques, nem levou as denúncias à OAB-MS, mas garante que tomará as medidas judiciais necessárias. “No momento certo eu vou ter que fazer isso mesmo. Mas estou juntando o que posso. Eu gastei mais de quatrocentos reais só com essas certidões de tudo que eu vendi entre 2006 e 2010. Agora, vou aguardar porque tenho certeza de que as ilegalidades dessa Operação vão invalidar tudo”, explica.

O ex-prefeito ainda relata que, nos três meses durante os quais esteve preso, viu poucas vezes Carlos Marques. Ele garante que teria ficado proibido de contato com outras pessoas. “Tipo assim... eu estava lá preso já 93 dias, daí ele, o Carlos Marques, chegou lá e falou pra mim: se você assinar isso aqui agora, de tarde você já sai”, explica.

Ele conta que o advogado teria levado a carta, já pronta, acompanhado por duas testemunhas. “Eles nem conferiram minha assinatura. Levaram uma carta feita pra mim lá... Na verdade, eu nem li, nem leram o que estava escrito. Você pode pegar uma copia da minha carta, que está no processo. Lá na minha carta tem a assinatura de duas pessoas que estavam com o Carlos Marques no dia da minha renuncia lá. Ele levou duas testemunhas, dois funcionários dele, acho que eram dois advogados que ele levou”, relata.

O advogado confirma que havia duas testemunhas, mas não confirma se eram pessoas ligadas a ele ou não. “Eu tenho é duas testemunhas de que, quando ele saiu, me abraçou chorando e agradeceu muito. Isso aí é cuspir no prato em que comeu”, diz Marques.

Sobre uma suposta duplicata de R$ 200 mil que Artuzi garante ter sido ‘obrigado’ a assinar, Carlos confirma que exigiu do ex-cliente uma confissão de dívida. “Ele não me pagou nada, e eu nem tenho a intenção de cobrar nada disso ai, mas quando substabeleci outro colega como advogado dele, ele realmente assinou para mim uma declaração de que não me pagou”, admite.

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