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Agência recruta "avós" para trabalho de babá ao redor do mundo

10 Ago 2011 - 11h44Por Folha.com/BBC Brasil

Uma agência alemã decidiu recrutar avós para trabalharem como babás para famílias no exterior.

Em vez das adolescentes que normalmente se oferecem para o trabalho de au pair, que envolve tomar conta das crianças e da casa, em troca da experiência de viver com uma família em outro país, a agência Granny Au Pair escolhe mulheres mais maduras, que querem uma chance de conhecer o mundo.

Rita Charalampiev, uma mulher casada de 62 anos e com uma filha já adulta, acaba de voltar à Alemanha após uma temporada de 6 meses no Canadá, onde ela cuidava de gêmeos de 2 anos e meio de idade e cozinhava.

"Eu gostava do meu trabalho e me sentia jovem. Comecei a me lembrar de todas as canções infantis, dos jogos que costumava jogar. Havia muita diversão, amor, barulho e trabalho. E eu ainda recebia de volta lindos sorrisos com olhinhos brilhando", conta ela.

"Eu sempre vou sentir falta das pessoas simpáticas, educadas e relaxadas que conheci no Canadá."

ANTIGOS SONHOS

A criadora da agência, Michaela Hansen, 50, teve a ideia ao ver um programa de TV sobre jovens au pairs. "Eu pensei: por que não há algo parecido para mulheres mais velhas?"

Hansen imaginou que, como ela, muitas mulheres que cresceram na República Democrática Alemã casaram-se cedo, tiveram filhos e nunca conseguiram uma oportunidade de viver no exterior e trabalhar como au pair, como fazem muitas adolescentes e jovens europeias.

"Muitas vezes as pessoas mais velhas se lembram com um pouco de melancolia de seus antigos sonhos. Viver no exterior é frequentemente um deles. Algumas queriam emigrar para os Estados Unidos, outras sonhavam em viver numa fazenda de ovelhas na Nova Zelândia. Até mesmo o sonho de trabalhar como au pair em outro país não foi realizado", diz Hansen.

NOVAS EXPERIÊNCIAS

Hoje, já aposentadas e com filhos criados, essas mulheres maduras teriam tempo e disposição para conhecer outras culturas.

"Quando li no jornal sobre a agência Granny Au Pair, fiquei empolgada e me ofereci imediatamente. Eu gosto de viajar, viver novas experiências, conhecer pessoas de outros países... Além disso, queria melhorar um pouco o meu inglês", disse Charampiev.

Como ela, mais de 400 mulheres se inscreveram desde a criação da agência em 2010. Cerca de 50 delas já tiveram a oportunidade de viver com famílias em países como Austrália, Reino Unido, Jordânia, França, Índia, Namíbia e Itália por períodos que variam entre três meses e um ano.

A agência tem candidatas com idades entre 35 e 76 anos, mas a maioria delas fica na faixa entre 55 e 65 anos. Como as au pairs mais jovens, elas tomam conta de crianças em troca de quarto e comida.

Normalmente não há salário, mas a família e a au pair podem fazer qualquer tipo de acordo. Muitas famílias pagam as passagens aéreas e oferecem algum dinheiro para as despesas diárias.

"Elas (mulheres maduras) são mais responsáveis, tem experiência de vida, já criaram filhos e cuidaram de uma casa. Já as mais jovens estão interessadas em namorados e festas", diz Corinna Von Valtier, gerente Granny Au Pair.

No momento da inscrição, as interessadas pagam uma taxa de 35 euros (R$ 80) e quando uma família compatível é encontrada, outros 250 euros (R$ 575).

REPONSABILIDADE X ENERGIA

A gerente da Granny Au Pair, Corinna Von Valtier, acredita que as 'avós' têm grandes vantagens na comparação com as adolescentes.

"Elas são mais responsáveis, tem experiência de vida, já criaram filhos e cuidaram de uma casa. Já as mais jovens estão interessadas em namorados e festas."

Rita Charalampiev admite que talvez as mulheres mais maduras não tenham tanta energia, mas acha que elas não têm dificuldades em fazer o trabalho de au pair por seis meses ou um ano.

Hansen lembra, no entanto, que os dois lados devem ter tolerância. Segundo ela, a au pair precisa ser tratada com respeito, mas não pode querer ensinar a família como criar seus filhos.

Mesmo com possíveis conflitos no caminho, o número de mulheres maduras interessadas em viver a experiência vem crescendo nos últimos meses.

Von Valtier diz que está ocupada montando uma base de dados com as informações das candidatas a au pair, que agora já não são mais apenas alemãs. Mulheres espanholas, italianas, britânicas e até brasileiras já procuraram a Granny Au Pair em busca de uma oportunidade de passar algum tempo em outro país.

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