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7 de fevereiro de 2018 09h10

Em quatro anos, 118 mil contribuintes de MS caíram na malha fina do IR

DA REDAÇÃO

Inconsistência nas declarações do imposto de renda tem dado dor de cabeça a milhares de sul-mato-grossenses. No acumulado dos últimos quatro anos, há 118.976 declarações de contribuintes do Estado retidas na malha fina em decorrência de problemas diversos, com destaque à omissão de rendimentos. Nesta situação, estão aproximadamente 30% dos casos.

De acordo com a Receita Federal, estão na malha 29.643 declarações do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) de 2017. Nos anos anteriores, as quantidades são as seguintes: 23.972 em 2016; 27.346 em 2015; e 38.015 em 2014.

“A maior causa é omissão dos rendimentos, cerca de 30% do total”, afirmou o delegado da Receita em Mato Grosso do Sul, Edson Ishikawa. Ele acrescenta que outras motivações entre as mais recorrentes, estão as referentes a despesas médicas e a ausência do DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte).

A omissão de rendimentos nem sempre decorre de má-fé. “Pode acontecer de o contribuinte prestar serviços e acabar se esquecendo de informar sobre isso”, exemplifica. Ishikawa disse que o contribuinte encontra no portal e-Cac (Centro Virtual de Atendimento), da Receita Federal, informações sobre empresas e outros contratantes de seus serviços.

Em relação a despesas médicas, valor muito alto, incompatível com a renda, pode levar à retenção da declaração. “Não há limite para despesas médicas”, afirmou o delegado, ponderando que o contribuinte que declara montante elevado em relação ao rendimento poderá ser chamado para comprovar o gasto.

Retido na fonte – Uma das situações mais complicadas é a ausência do DIRF. É quando a empresa ou o contratante do serviço do contribuinte não declara o imposto retido na fonte ou declara com valor errado. No primeiro momento, de acordo com o delegado, o contribuinte cai na malha fina. Depois, a empresa será notificada.

O contador Willians Melgarejo, 43 anos, comenta que a solução do problema resultante da ausência do DIRF pode demorar muito. “Tenho um cliente que demorou mais de ano”, ilustrou. “Isso porque envolve um terceiro, que é a empresa. Só quando as divergências forem solucionadas e a a Receita estiver satisfeita com as informações é que o contribuinte sai da malha”, disse.

Para evitar dores de cabeça com o Leão, o contador orienta que os contribuintes já organizem todos os documentos necessários para a entrega da declaração, como demonstrativos de rendimentos, informações bancárias, de planos de Previdência, comprovantes de pagamentos, entre outros.

Sem desespero – Cair na malha não é motivo para se desesperar, segundo realça Edson Ishikawa. “O que a Receita quer é apenas a complementação de informações. Não deve ser fator de preocupação”, disse.

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