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21 de Julho de 2017 14h09

Deficiente resgatado que teve perna roída por ratos vivia em condições desumanas

G1
DivulgaçãoDivulgação

O deficiente físico e visual que foi resgatado no início do mês em uma fazenda em Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, vivia em condições desumanas, segundo a Polícia Civil. Ele foi resgatado em situação análoga à escravidão na fazenda de um advogado, identificado como Robson Medeiros, de 42 anos. O funcionário é cego de um olho, tem uma perna amputada e é portador de hanseníase.

O advogado teve a prisão decretada pela Justiça Federal e foi preso nessa quinta-feira (20) ao procurar a delegacia para saber quando seria ouvido na investigação, sem saber que tinha uma ordem judicial contra ele. O interrogatório do suspeito foi até a noite e a polícia ainda não divulgou detalhes sobre o depoimento. O delegado responsável pelo caso, Edison Ricardo Pick, disse que o advogado negou algumas informações e confirmou outras. O G1 não localizou a defesa dos suspeitos.

 
Deficiente vivia em situação análoga à escravidão perto de chiqueiro em fazenda e foi resgatado (Foto: Polícia Civil de MT)

Deficiente vivia em situação análoga à escravidão perto de chiqueiro em fazenda e foi resgatado (Foto: Polícia Civil de MT)

Foram cumpridas sete ordens judiciais, entre mandados de prisão, de busca e apreensão, e de condução coercitiva. A Justiça Federal também expediu a prisão temporária (de cinco dias) contra um idoso, de 72 anos, ex-sogro do advogado, além da condução coercitiva para a atual mulher do advogado.

Tanto o advogado quanto o ex-sogro são suspeitos de sequestro e cárcere privado, situação análoga à escravidão, maus tratos e favorecimento sexual. As buscas foram feitas na casa e no escritório do advogado, e em duas propriedades rurais dos investigados.

 
Há um banheiro adequado com sanitário e chuveiro, porém, os proprietários o deixam trancado com cadeado e corrente, obrigando a vítima a tomar banho de mangueira (Foto: Polícia Civil de MT)

Há um banheiro adequado com sanitário e chuveiro, porém, os proprietários o deixam trancado com cadeado e corrente, obrigando a vítima a tomar banho de mangueira (Foto: Polícia Civil de MT)

As ordens foram decretadas pelo juiz federal Antônio Lúcio Túlio de Oliveira Barbosa, da Subseção Judiciária de Juína do Tribunal Regional Federal (TRF).

Deficiente, cego e atacado por ratos

O trabalhador tem deficiência física e visual ocasionadas por acidentes de trabalho nas fazendas do advogado. O funcionário, que nunca teve carteira assinada e recebia apenas moradia e comida pelos trabalhos prestados, ficou cego do olho esquerdo devido a um acidente de trânsito em 2015 e amputou uma perna em razão de ferimento causado quando apagava um incêndio na propriedade.

Quando foi resgatado, o trabalhador morava em um quarto com muitos ratos e próximo ao chiqueiro. O local ainda funciona como depósito para armazenamento de produtos agropecuários, rações e ferramentas.

A vítima é portadora de hanseníase e não sente dores no corpo. Há quatro meses, ratos roeram a perna dele enquanto a vítima dormia. Ao se levantar, o trabalhador percebeu as poças de sangue no colchão. Devido às deficiências, o lavrador não conseguia fazer a sua comida e esperava que outros funcionários da fazenda levassem a refeição para ele.

Os policiais constataram que na fazenda há um banheiro adequado com sanitário e chuveiro, porém, os proprietários o deixam trancado com cadeado e corrente, obrigando a vítima a tomar banho de mangueira atrás da casa, ou em uma lagoa onde divide o espaço com porcos, bois e cavalos.

De acordo com a vítima, seus documentos pessoais estão há um ano em poder do ex-sogro do patrão, supostamente para dar entrada em sua aposentadoria.

Muito debilitado, o trabalhador foi encaminhado para atendimentos médicos e está, atualmente, na casa de um familiar.

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