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31 de Julho de 2017 14h06

Baladeiro, cão 'de rua' tem vários donos e pelo menos três nomes em Bonito

Baladeiro, cão 'de rua' tem vários donos e pelo menos três nomes em Bonito

Midiamax
DivulgaçãoDivulgação

Impossível passar pela rua Pillad Rebuá, a principal via de Bonito, e não notar a folga com que um cão vira-latas de pelos negros distribui o corpo pela calçada. Muito à vontade, muito confortável, o cão não demonstra medo ou desconforto e parece estar claramente no 'sofá de sua casa'. E está: o animal é uma espécie de 'patrimônio vivo' da cidade e além de vários donos, possui vários nomes e hábitos boêmios interessantes, digamos assim.

Este é Negão. Ou Fred. Ou Mandíbula. E contam os bonitenses que ele foi abandonado pela dona, que foi embora da cidade. "O 'Negão' é companheiro de todo mundo de balada. Tem muitas histórias sobre ele, uma delas é que a antiga dona foi embora da cidade e o abandonou. E aí quando ela retornou, ela tentou pegar ele de volta. Só que quem rejeitou ela foi ele, no caso", conta o vendedor Luigi Augusto, 21, vendedor.

 

Fred (ou Negão, ou Mandíbula) e Paulinha, um xodó lindo de ver (Foto - Guilherme Cavalcante/Midiamax)Fred (ou Negão, ou Mandíbula) e Paulinha, um xodó lindo de ver (Foto - Guilherme Cavalcante/Midiamax)

 

"Ele é muito carinhoso, é parte da família. A gente trata, dá comida, dá remédio... A gente não entende como abandonaram um animal assim. É engraçado, até, porque ele sabe o horário que cada tutor chega nas lojas. Quando eu chego ele vem cumprimentar. Quando ele está com medo, tem muita gente, ele fica atrás do balcão. Mas quando ta calor ele fica debaixo do ar condicionado. Quando a Paulinha chega ele some da calçada e vai pra perto dela", conta a vendedora Vanderleia Osório.

A história dos três nomes - pelo menos - se explica porque há um tipo de guarda compartilhada. Mas é Paulinha Nachif o xodó do animal. Todos os dias, ele aguarda a vendedora chegar até o trabalho para abandonar a calçada e se recolher embaixo de uma mesa da loja.

"Aqui na quadra ele se chama Negão. Na de cima ele se chama Fred. E na outra ele se chama Mandíbula", conta Paulinha. "Esse aí vive melhor que muita gente, ele é a atração dessa região. Hoje, no horário do almoço, dei de cara com ele num restaurante, sentado do lado da mesa dos clientes, ganhando bife", conta a tutora.

Paulinha destaca que apesar de não ter um dono específico, a 'guarda compartilhada' que se organizou em torno do cão não esqueceu de providenciar todos os cuidados comuns a um animal doméstico. "Ele é muito bem cuidado. Graças a Deus eu não conheço a hstória dele e nem quero saber. Mas, se ele foi abandonado, graças a Deus hoje ele tem tudo. Vai ser castrado, está tomando ferro, fez exame de sangue, toma banho no pet shop e quando tá frio a gente coloca roupinha nele", destaca.

Baladeiro

 

Tutoras vestem roupinha para se proteger o animal do frio (Reprodução/Instagram)Tutoras vestem roupinha para se proteger o animal do frio (Reprodução/Instagram)

 

Fred, ou Negão, também tem hábitos muito peculiares. Além de conquistar atenção por onde passa, ele também é adepto a noitadas. Inclusive, é habitué de um pub da cidade turística. "Ele é super baladeiro, não fica trancado. Mas todo dia a noite ele vai aqui no hotel do lado, sobe a escada, bate na porta do Jhonny e pede pra entrar e dormir. Teve um dia que o Jhonny falou: Paulinha, ele chegou ontem 3h da madrugada. Eu falo: olha o pai reclamando do filho baladeiro", diz Paulinha.

O 'pai', no caso, é o vendedor Jhonny Oliveira, 26, que confirma a história contada por Paulinha. "Eu tenho o espaço dele em casa, o canto onde ele se acomoda. Mas, como ele é baladeiro, ele só chega em casa tarde. Dorme o dia para viver a noite. Já tem dois a três anos que isso acontece sempre. Ele bate na porta tanto pra entrar como pra sair. É um cão que gosta de ser livre, ele odeia ficar preso, fica chorando", conta o vendedor.

"Esses dias ele foi fazer exame de sangue no petshop e a gente não tinha como ir buscar, porque estava todo mundo em horário de trabalho. Aí a moça do pet ligou dizendo que ele estava pronto e que estava reclamando de estar preso. Daí a gente disse que era só soltar que ele vinha pra cá. Não deu cinco minutos ele estava aqui", conta Paulinha.

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